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A inflação das ameaças nas políticas para a cibersegurança

Jerry Brito e Tate Watkins, no abstract de um artigo no Harvard National Security Journal:

Não tem faltado atenção para a cibersegurança, com um vasto leque de especialistas alertando para potenciais cenários apocalípticos, caso o governo não aja para proteger melhor a Internet. Mas esta não é a primeira vez que somos avisados ​​para perigos iminentes; na verdade, há muitos paralelos entre as representações actuais das ameaças cibernéticas e o retrato do Iraque antes de 2003, ou a percepção da falta de bombardeiros [em comparação com os Soviéticos] no final dos anos 50.

Este artigo pede por uma justificação melhor para o aumento dos recursos dedicados a ameaças cibernéticas. Examina as afirmações feitas por aqueles que clamam por maior atenção para a cibersegurança, e observa os interesses de um complexo militar/industrial em jogar com o medo de um "ciber Katrina." A cibersegurança é, sem dúvida, uma questão política importante. Mas com a escassez de informação sobre a verdadeira natureza da ameaça, é muito difícil determinar se algumas políticas do governo são necessárias – ou se isto representa apenas a mais recente iteração da inflação das ameaças, beneficiando interesses privados e políticos paroquiais.

in Loving the Cyber Bomb? The Dangers of Threat Inflation in Cybersecurity Policy.

O artigo é interessante pelas questões que levanta sobre as políticas que estão a ser adoptadas (ou prestes a ser adoptadas) pelo governo dos Estados Unidos, em face das evidências (e da falta de evidências) que as suportam, e as possíveis consequências da sua adopção.

Não vou entrar em detalhes nem comentários sobre os argumentos apresentados. No entanto, sinto que devo escrever o seguinte: É importante mantermos um espírito crítico no que concerne a nossa percepção e as nossas próprias recomendações. Por essa razão, e mesmo sendo denso, penso que o artigo merece e pede por ser lido (!)