Atar as botas

O caminho faz-se caminhando

Um dos maiores defeitos das pessoas que trabalham em segurança é, tantas e tantas vezes, a necessidade obsessiva da perfeição. A sério. É um elemento que encontramos nos traços de personalidade de muitas pessoas ligadas a esta área. Um defeito ou uma virtude, conforme o ângulo que escolhermos para analisar o traço. Porquê? Porquê um defeito? Porque...

(por estar há já cinco minutos a olhar para este parágrafo à procura da sequência perfeita para continuar e explicar a ideia original – é por isso)

... essa necessidade nunca fica satisfeita. Nunca. E quando fazemos depender o nosso trabalho, as nossas actividades, do grau mais elevado, do inatingível, bem, a probabilidade dessa dependência nunca ser ultrapassada é máxima.

(filtros, dois filtros, cinco filtros, redundância, dois? Não. Quatro! Cópia. E cópia de cópia. E testes, de baixo para cima; de cima para baixo, mais, repete lá isso, vá, só mais uma vez, vá lá... E se faltar a corrente?... epah...)

Também pode ser uma virtude, em casos muito específicos, quando o risco e o grau de exigência são, de facto, muito elevados. Mas esses casos são, regra geral, as excepções. Na maioria dos casos podíamos viver lindamente com o middle ground, com o meet me halfway, com a negociação.

(25 de Novembro. Sim, 25 é uma data porreira, faz 6 meses mais um dia desde o último post... E Mercúrio não deve estar regresso, talvez haja Lua Nova, e tal, mas ainda nem vi... E, se calhar, nem chove!)

Agora a sério: o caminho faz-se caminhando e eu, hoje, para contrariar o impulso mais primário, essa necessidade paralisante, eu, hoje, vou calçar as botas novamente. Não é a 25, nem numa data-prima qualquer, nem sequer depois de amanhã. As Notas sobre Segurança retomam hoje.