Assange: "O Facebook, a Google e o Yahoo são ferramentas para espionagem Norte-Americana"

Julian Assange, promotor das WikiLeaks, entrevistado pela RT:

O Facebook, em particular, é a máquina de espionagem mais terrível que já foi inventada. Aqui temos o banco de dados mais abrangente do mundo sobre pessoas, os seus relacionamentos, os nomes, os endereços, as suas localizações e as comunicações entre si, os parentes, e tudo isto nos Estados Unidos, todos os dados acessíveis à inteligência dos EUA. Facebook, Google, Yahoo – todas estas grandes organizações Norte-Americanas têm interfaces integradas com a inteligência dos EUA. Não é uma questão de cumprir uma intimação. Eles têm uma interface que desenvolveram para a inteligência dos EUA utilizar.

Agora, será o caso de o Facebook ser realmente gerido pelos serviços secretos dos EUA? Não, não é assim. Simplesmente, a inteligência dos EUA é capaz de exercer uma pressão jurídica e política sobre eles. E como é caro entregar os registros, um por um, eles automatizaram o processo. Todos devem compreender que, quando adicionarem os seus amigos no Facebook, estão a fazer um trabalho gratuito para as agências de inteligência dos Estados Unidos na construção deste banco de dados.

(...)

O nosso inimigo número 1 é a ignorância. E acredito que é o inimigo número 1 para todos – é não entendermos o que realmente está a acontecer no mundo. Só quando começamos a entender é que podemos tomar decisões eficazes e planos efectivos.

in WikiLeaks revelations only tip of iceberg – Assange.

O vídeo com a entrevista completa, que inclui outros assuntos, também está disponível online, por aqui: rt.com/... (FLV, 50MB, 13min).

Alguns comentários: não sei se estas declarações têm ou não têm fundamento. Talvez sim; talvez não. Mas, independentemente de terem, neste momento, algum fundamento, o facto é que estas organizações têm – têm mesmo – os dados necessários para relacionar, correlacionar, e controlar as comunicações de centenas de milhões de pessoas de todo o mundo. E a autoridade a quem têm de responder é a Norte-Americana. Numa situação em que lhes seja exigida informação pelas agências de segurança, dificilmente poderão protegê-la, mesmo que tenham essa intenção.

Não sei quanto a vocês mas eu, pela minha parte, exerço critérios muito finos quando publico alguma coisa nas redes sociais e, há algum tempo, deixei de usar os sistemas de correio electrónicos externos.

A decisão é sempre vossa, como é óbvio, mas... pensem nisto.