Uma nota breve sobre a WikiLeaks

De uma perspectiva estritamente de segurança, sem outras considerações de carácter político, Bruce Schneier escreveu há pouco um pensamento muito simples, quase de la Palice, mas que resume em poucas palavras o fenómeno WikiLeaks. No original:

Secrets are only as secure as the least trusted person who knows them. The more people who know a secret, the more likely it is to be made public.

in WikiLeaks.

O resto da história pode ser muito interessante – e é – e ter contornos cada vez mais nebulosos e levantar questões sobre a ética e a legitimidade das acções das partes em conflicto – de ambas as partes em conflicto – mas, do ponto de vista da segurança, o problema resume-se, na minha opinião, ao parágrafo citado. E é sobre isto que vamos ter que reflectir mais um bocado, agora e no futuro, para identificarmos formas de garantir, por um lado, o fluxo da informação para quem dela depende para realizar a sua actividade, e, por outro lado, limitar a sua exposição para evitar a sua utilização inadequada.

Não vou tecer outras considerações sobre a legitimidade (e o valor para a sociedade) que a publicação de alguma informação confidencial possa ter. E admito que em algumas circunstâncias a exposição de alguma informação possa ser legítima, e, até, moralmente obrigatória (!!) No entanto, também há outras circunstâncias nas quais não existe legitimidade nenhuma, e a publicação pode ser apenas um exercício de má fé, um espectáculo de circo, e uma simples caça às bruxas. Mas isso, como é óbvio, não me cabe a mim julgar.