Fim de CDs, DVDs e canetas USB em máquinas militares

Escrito na Wired, ainda na sequência da WikiLeaks:

É demasiado tarde para impedir a WikiLeaks de publicar mais milhares de documentos classificados, roubados da rede secreta do Pentágono. Mas os militares Norte-Americanos estão a comunicar às suas tropas que não podem usar CDs, DVDs, canetas USB e quaisquer outras formas de media portátil – ou arriscam-se a ser julgados num tribunal marcial.

in Military bans disks, threatens courts-martial to stop new leaks.

Será que também vão desligar as impressoras, impedir a utilização de telemóveis com câmaras, e irão revistar a tropa à entrada e à saída? Já o fazem? Ok... Era só um conjunto de ideias adicionais.

Não me parece que resolvam o problema em absoluto mas, sem dúvida, tornam mais difícil a extracção de volumes massivos de informação.

Parece-me que valeria a pena investirem também, se quisessem, em sistemas de análise heurística dos registos de acesso à informação. E monitorarem activamente esses sistemas, procurando identificar padrões de acesso invulgares, investigando e inquirindo o propósito desses acessos junto das pessoas que os realizassem. Seria um processo Orwellesco? Sim, sem dúvida. Mas é importante terem presente que este problema não se resolve apenas com tecnologia, como sempre. E, claro, das duas, uma: ou querem resolvê-lo e têm que endereçar directamente a sua fonte – as pessoas – ou querem apenas aplicar uns paliativos, que podem contribuir para reduzir a probabilidade de ocorrência, mas que não eliminam o problema.

A segurança e a percepção da segurança são coisas diferentes. A primeira exige medidas que podem ser difíceis mas eficazes. A segunda, bem, serve apenas para acalmar os mais ansiosos.

(Mais uma vez, for the record, estou a tentar abstrair-me de juízos de valor sobre a natureza da própria WikiLeaks; estou apenas a focar os aspectos que, de uma perspectiva estrita da segurança, me parecem relevantes, independentemente da natureza da informação envolvida)