2020: Futurologia, por Bruce Schneier

Ainda hoje, durante a tarde e em conversa com um bom amigo, evoquei uma frase que li recentemente, numa rede social qualquer, e que dizia mais ou menos isto: Se estás a usar um serviço ou uma aplicação na Internet gratuitamente, se não pagas nada por ela, então, tu, não és o cliente – tu, és o produto.

E vem isto a propósito de quê, I hear you ask? : ) ... Vem a propósito de mais um artigo de opinião de Bruce Schneier, mais um artigo que, na minha opinião, revela uma clareza de pensamento, capacidade de observação e descrição da realidade que são singulares, e que tenho que partilhar por aqui.

Subscrevo as ideias principais, e assumo a dificuldade em delegar o controlo que, se o futuro se concretizar desta forma, vamos ter que aceitar. Tenho muitas dúvidas e algum receio que a profecia de Orwell, aquela que descreve o Big Brother, acabe por se concretizar, num espaço de tempo muito curto.

Mais, apesar de caminharmos no sentido da transferência da nossa informação para algures, de abdicarmos da nossa privacidade, e aceitarmos, por troca de 10 vinténs, a supervisão das nossas acções e da nossa vida, apesar de caminharmos lentamente nessa direcção, pergunto-me se este modelo será mesmo uma inevitabilidade, por um lado, e, por outro lado, se os benefícios que iremos conquistar justificarão, sem margem para quaisquer dúvidas, os custos pessoais e civilizacionais que teremos de pagar, directa ou indirectamente, com a nossa liberdade e com o nosso direito a existirmos, simplesmente, pacificamente, sem qualquer supervisão.

(A letra e a musica do The Prisoner emergem, neste instante, envoltas em neblina, vindas do fundo mais fundo da memória. Creepy...)

Bom, e depois deste discurso absolutamente esquizofrénico para quem não leu o artigo, fica por aqui, finalmente, a referência – vão perceber a ideia. Bruce Schneier: Security in 2020.