In nomine Patris

Hunter S. Thompson (1937-2005), via Schneier:

Segurança ... o que significa esta palavra em relação à vida como a conhecemos hoje? Para a maior parte dos casos, significa estabilidade e liberdade de preocupações. Diz-se ser o fim que todos os homens se esforçam para alcançar, mas será a segurança um objectivo utópico ou será outra palavra para rotina?

Visualizemos o homem seguro; e por este termo, quero dizer um homem que aceitou a segurança financeira e pessoal como o seu objectivo na vida. Em geral, ele é um homem que colocou a ambição e a iniciativa de lado e assentou, por assim dizer, numa entediante, mas segura e confortável rotina para o resto da sua vida. O seu futuro é apenas uma extensão do seu presente, e ele aceita-o como tal, com um encolher de ombros complacente. As suas ideias e ideais são os da sociedade em geral, e ele é aceite como um respeitável, mas mediano e prosaico homem. Mas será ele um homem? terá ele algum auto-respeito e orgulho em si próprio? Como poderia ele, quando arriscou nada e ganhou nada? O que pensa ele quando vê os seus sonhos juvenis de aventura, realização, viagens e romance, sepultados sob o manto da conformidade? Como se sente ele quando se apercebe que mal tomou o gosto à refeição da vida; quando ele vê a prisão que fez para si mesmo em busca do todo-poderoso dinheiro? Se ele acha que isto é tudo satisfatório e bom, muito bem, mas pensem na tragédia de um homem que sacrificou a sua liberdade no altar da segurança, e deseja poder inverter as mãos do tempo. Um homem é digno de pena se lhe faltou a coragem para aceitar o desafio da liberdade e afastar-se da almofada da segurança, e de ver a vida como ela é, em vez de vivê-la em segunda mão. A vida ultrapassou este homem e ele tem observado a partir de um lugar seguro, com medo de procurar algo melhor. O que fez ele excepto sentar-se e esperar pelo amanhã que nunca chega?

Virem as páginas da história para trás e vejam os homens que moldaram o destino do mundo. A segurança nunca foi deles, mas eles viveram em vez de terem existido. Onde estaria o mundo se todos os homens tivessem procurado segurança e não tivessem assumindo riscos ou jogado com as suas vidas na esperança de que, se ganhassem, a vida fosse diferente e mais rica? É a partir dos espectadores (que são a grande maioria) que recebemos a propaganda que a vida não vale a pena ser vivida, que a vida é labuta sem interesse, que as ambições da juventude devem ser deixadas de lado por uma vida que é apenas uma espera dolorosa para a morte. Estes são aqueles que espremem o entusiasmo que podem da vida, da imaginação e das experiências dos outros, através de livros e de filmes. Estes são os homens insignificantes e esquecidos que pregam a conformidade porque é tudo o quanto sabem. Estes são os homens que sonham à noite sobre o que poderia ter sido, mas que acordam de madrugada para tomar os seus lugares na rotina que já é familiar, e existir meramente por outro dia. Para eles, o romance da vida está morto há muito tempo e eles são forçados a atravessar os anos numa passadeira, amaldiçoando a sua existência, mas com medo de morrerem por causa do desconhecido que os enfrentará após a morte. Faltou-lhes a única coragem verdadeira: a que permite aos homens enfrentar o desconhecido, independentemente das consequências.

Pensando bem, parece pouco adequado escrever sobre a vida sem mencionar por uma vez a felicidade; por isso vamos deixar o leitor responder a esta pergunta para si próprio: quem é o homem mais feliz, aquele que enfrentou a tempestade da vida e viveu, ou aquele que ficou em segurança em terra e apenas existiu?

in Security (1955).

Food for thought. Specially for those who, like myself, are engaged in security work. Think of it as self analysis.