Google Street View: As asneiras, a culpa e o futuro

Alan Eustace, Senior VP da Engenharia e Investigação da Google, assumiu em Maio que a empresa capturou informação excessiva com os Street View Cars, a partir de redes Wi-Fi que estavam desprotegidas. Agora, passados cinco meses, acrescentou mais uns detalhes, que, alegadamente, não conheciam na data do primeiro comunicado: os dados recolhidos continham alguns endereços de correio electrónico e algumas passwords. Esta descoberta, segundo a comunicação de ontem, foi o resultado da análise levada a cabo por investigadores externos à empresa.

Na sequência deste episódio, para além do pedido formal de desculpa, a Google afirma que vai reforçar os controlos internos para a segurança e privacidade, e destacou as medidas que se seguem: (i) Nomeou uma Directora para a Privacidade, transversal à Engenharia e à Gestão de Produtos, responsável por garantir que são realizados controlos que, de uma forma efectiva, garantam a privacidade dos utilizadores; (ii) Investiu na formação dos colaboradores, que irão ser os alvos de um novo programa de consciencialização para a segurança, que incluirá orientações claras para a segurança e privacidade; e, finalmente, (iii) Reforçou a conformidade, acrescentando um processo ao sistema de revisão existente, com o qual será obrigatório manter documentação específica sobre o design da privacidade nas soluções. Esta documentação será revista e avaliada periodicamente.

Em relação ao que aconteceu, aos comunicados e às novas medidas que foram agora tomadas, parece-me pertinente acrescentar duas ou três notas: em primeiro lugar, mesmo que consideremos que a Google é, em última instância, culpada pela recolha de dados excessiva – culpada, mesmo considerando plausível a justificação que, segundo a Google, não o fez intencionalmente – mesmo assim, não podemos ignorar que a responsabilidade pela protecção dos dados, em primeira instância, é de cada um dos indivíduos que, mantendo redes sem fios desprotegidas, expõem a informação a todos nós. Em segundo lugar, parece-me importante reconhecer que a Google, ao contrário do que vamos vendo um pouco por todo o lado, cá por dentro e lá por fora, optou por reconhecer o erro e assumir, de forma clara, a sua culpa. Foi um passo importante para reconquistar a confiança dos seus clientes. Ficou-lhe bem. Finalmente, em terceiro lugar, parece-me que as medidas agora publicadas, mesmo que não impeçam, no futuro, outros erros de natureza semelhante, vão, com certeza, limitar a probabilidade da sua ocorrência. Aliás, são boas práticas que podiam ser adoptadas por muitas organizações.