A estratégia para a Segurança Nacional no UK

Deste mês, apresentada ao parlamento pelo Primeiro Ministro Britânico, por ordem de Sua Alteza Real, a Rainha: A Strong Britain in an Age of Uncertainty: The National Security Strategy.

O texto é interessante mas é longo e é necessário tempo de qualidade para ser digerido. Não vou fazer um resumo mas vou salientar um aspecto que me despertou os sentidos. Foi o seguinte: do rol de riscos de segurança que foram identificados, no nível de classificação mais elevado e logo a seguir ao terrorismo, foram considerados os ataques hostis ao ciber-espaço do Reino Unido, por outros países, ou por ciber-crime em larga escala. Ou seja, dito de outra forma, a segurança dos sistemas e da informação estão no topo das ameaças que, segundo este documento, devem ser consideradas de alto risco.

Dá o que pensar por um bocado. Sobretudo quando imaginamos as self fulfilling prophecies...

Post-scriptum: Houve outra coisa que me despertou a atenção, mas de uma forma muito diferente. Há uma passagem onde podemos ler Uma estratégia só é útil se guiar as escolhas. E interroguei-me como seria a sua inversa, ou seja, se a inexistência de uma estratégia poderia incapacitar fortemente as nossas escolhas. E é verdade que não. Nada nos impede de escolhermos o que bem entendermos, mesmo que não tenhamos uma estratégia bem definida. Mas, se não tivermos um guia, um plano muito abrangente, as nossas decisões vão ser tomadas, inevitavelmente, caso a caso, e, provavelmente, serão arbitrárias. No mínimo, mesmo que possamos racionalizar cada uma individualmente, não podemos enquadrá-las num plano articulado e englobante. Vai sair-nos mais caro, menos eficiente, e só dificilmente será mais eficaz. Uma estratégia? Sim, precisa-se.