NATO. Ataques na Internet. Legitimidade para retaliar

The Sunday Times:

Uma equipa de peritos da NATO liderada por Madeleine Albright, a anterior Secretária de Estado Norte-Americana, lançou o alerta que o próximo ataque a um país-membro da NATO pode vir através de um cabo de fibra óptica (...) A NATO está agora a reflectir sobre quão grave teria que ser um ataque para justificar uma retaliação, que forças militares poderiam ser usadas, e que alvos seriam atacados (...) Espera-se que os Chefes de Governo discutam o uso potencial de forças militares em resposta a ciber-ataques, numa reunião que vai ter lugar em Lisboa, em Novembro, e onde irá ser debatido o futuro da aliança.

in Nato warns of strike against cyber attackers.

Quando começamos a ler coisas destas com alguma frequência é melhor prestarmos alguma atenção, porque o poder das self-fulfilling prophecies é enorme.

Independentemente de haver um risco efectivo sobre infra-estruturas críticas de um país (e, da minha perspectiva, até há), o risco de haver uma escalada no tom destas conversas é real. E temos que ter alguma atenção porque, mesmo que estas discussões possam parecer, em alguns casos, pouco mais do que umas conversas tontas, as agendas económicas (encapotadas) não são virtuais (sim, não nos esqueçamos que o negócio da ciber-segurança ainda tem muitos milhões de dólares por realizar).

Dito isto, e para que não sejamos apanhados um dia num fogo cruzado de bits furiosos, ou de outras coisas mais explosivas, parece-me boa ideia começarmos a pensar num plano de defesa das nossas infra-estruturas críticas e, sobretudo, em planos de recuperação em situações de falha generalizada dos sistemas ou das comunicações &mdash a capacidade de recuperar e continuar, no nosso contexto específico, é absolutamente vital. Mais do que retaliar, como é óbvio.

Food for thought? Nope. Food for action. To whom it may concern.