Confissões

Darragh McManus:

Se alguém que não conhecêssemos se sentasse ao nosso lado num autocarro, e começasse a divulgar os segredos da sua família, e as suas fantasias sexuais, provavelmente colocaríamos os headphones, enquanto procurávamos discretamente outro lugar (...) Normalmente não abrimos de par-em-par a nossa mente para o deleite de estranhos. Quão bizarro é, então, que essa contenção seja suspensa por tantos entre nós, [enquanto estamos] online.

in Confessing secrets to strangers online, no The Guardian.

É bizarro, de facto, e é um tema que vai fazer as delícias de psicólogos e sociólogos durante as próximas décadas. Entretanto, vale a pena usarmos algum tempo em auto-análise e, por sensibilização, explorarmos o assunto e coleccionarmos estas peças que compõem o puzzle.

Aquilo que me parece é que há um conjunto de sinais visuais, de comportamento, e até mesmo sinais auditivos e olfactivos, nuances no tom da voz, que detectamos e avaliamos continuamente numa interacção directa no mundo físico, que não estão presentes numa comunicação na Internet. Tal como não estavam presentes quando nos subscrevíamos por cartas. E, parece-me, é a ausência desses sinais que pode deixar-nos, por um lado, mais confiantes (porque não há nada que nos faça activar o profiling) e, ao mesmo tempo, completamente indefesos porque (até) parece que estamos a falar connosco próprios — há uma parte desta interacção que é completamente imaginada; Somos nós que damos corpo ao nosso interlocutor, tal como se estivéssemos a ler um livro.

Mas isto, claro, sou eu a escrever ; )
Como disse no início, é interessante q.b. Worth reading.