Sobre a privacidade, pelo criador do Facebook

The Guardian, a propósito de uma apresentação de Mark Zuckerberg, criador do Facebook:

Nos Crunchie awards em São Francisco este fim-de-semana, o CEO (com 25 anos) da rede social mais popular do mundo, afirmou que a privacidade já não é uma norma social. As pessoas passaram a estar confortáveis, não apenas a partilharem mais informação e de diversos tipos, mas de uma forma mais aberta e com mais pessoas. Essa norma social é algo que evoluiu com o tempo.. Zuckerberg afirmou que o crescimento do media social reflectiu uma mudança de atitude entre as pessoas comuns, e acrescentou que esta mudança radical aconteceu em apenas poucos anos.

in Privacy no longer a social norm, says Facebook founder.

Até pode ser um facto. Vamos admitir, por um momento, que esta mudança está em curso e que, com o tempo, vamos assistir a um mindshift que irá transformar a cultura e o valor da privacidade, tal como crescemos a conhecê-la (afinal, até eu já tenho um perfil e uma página no Facebook ; ) ). No entanto, mesmo que a mudança nos transporte para um modelo diferente, que ainda não conseguimos antecipar com clareza, mesmo assim, seria importante garantir, no mínimo, o seguinte:

  • Que todas as pessoas que usam as redes sociais estivessem conscientes, por um lado, dos efeitos imediatos e futuros da exposição da sua informação, e, por outro lado, que soubessem usar, de facto, os controlos que lhes permitem determinar o que será do domínio público, das coisas que só estarão acessíveis a quem lhes for dado acesso, e.g. a um grupo restrito de amigos; e
  • Que as redes sociais disponibilizassem controlos, parametrizáveis tanto quanto fosse possível, que permitissem definir facilmente, sem ambiguidades, as políticas de privacidade pessoal que cada pessoa entendesse adequada.

Em relação ao primeiro ponto, tenho reservas quanto à generalização do conhecimento das implicações da exposição — tenho dúvidas... Em relação ao segundo ponto, os controlos, parece-me que nem todas as redes têm as mesmas preocupações &mdash penso que seria importante haver uma iniciativa que visasse definir um conjunto mínimo de controlos, comum a todas as plataformas, que permitisse estabelecer um standard, um baseline. Talvez no futuro próximo, quem sabe?

Finalmente, para não encerrar esta nota sem deixar uma pista, recomendo a leitura e definição, aos utilizadores do Facebook, das Definições de privacidade, que estão disponíveis logo após a entrada no site, e que são indispensáveis para quem quiser definir uma política de privacidade mais restritiva.

Fica a sugestão.