Sobrevivência: Diversidade, abelhas, e o vírus da gripe A

A propósito da diversidade na Natureza, Dan Geer, num artigo em 2007 intitulado The evolution of security: What can nature tell us about how best to manage our risks?, escrevia o seguinte:

Está na altura de aprendermos alguma coisa com os insectos porque eles são, por excelência, a história de sucesso da Natureza (...) Quando eles, sejam "eles" quem forem, são todos iguais, a sua membrana protectora tem que ser perfeita ou podem morrer todos juntos. Quando eles, sejam "eles" quem forem, não são todos iguais, não têm que ser perfeitos porque, então, a lei dos grandes números está do seu lado.

Relembrei este artigo na sequência de ler, no Jornal de Notícias, num artigo a propósito do vírus da gripe A, esta passagem:

E o que poderá explicar mortes em pessoas saudáveis, causadas por uma doença na maioria dos casos benigna? A resposta imunológica de cada um de nós, explicou ao JN o infecciologista Jaime Nina, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Nós não somos todos iguais: uns são altos, outros baixos, uns magros, outros gordos, homens, mulheres, novos, velhos. E isso também é verdade do ponto de vista imunológico — cada pessoa reage de maneira diferente aos agentes patogénicos (...) Ainda no campo da sida, Jaime Nina lembra o caso de raras pessoas que apresentam uma mutação genética na célula receptora do VIH: podem contactar milhares de vezes com o vírus sem serem infectadas. São quase 100% imunes. Mas têm um preço a pagar por isso: são extremamente susceptíveis e fazem quadros muitos graves com o grupo dos flavivirus, como o do dengue e da febre amarela. A protecção de alguns contra vírus muito letais é uma espécie de seguro de vida da espécie. Em caso de contágio mundial, há sempre alguém que sobrevive.

Sob a luz deste enquadramento, mas focando o vector da segurança dos sistemas de informação, parece-me que vale a pena pensarmos no seguinte: a hegemonia dos mesmos componentes, ao nível das comunicações, dos sistemas, e das plataformas aplicacionais, essa hegemonia, contribui para facilitar a gestão e reduzir directamente os custos — parece-me indiscutível. Mas... deixar-nos-á mais seguros?

Food for thought.