Segurança para além do teatro

Bruce Schneier:

A segurança é, em simultâneo, uma sensação e uma realidade. A propensão para fazer teatro de segurança nasce da interacção entre o público e os seus líderes. Quando as pessoas têm medo, precisam que seja feita alguma coisa que as faça sentir seguras (safe1), mesmo que não fiquem verdadeiramente seguras (secure1). Os políticos querem, naturalmente, fazer alguma coisa em resposta a uma crise, mesmo que essa coisa não faça qualquer sentido.

in Beyond security theater. Recomendo a leitura; Interessante q.b.

É esta diferença, entre a sensação e a realidade, que nos faz temer pela vida quando pensamos em terrorismo e, ao mesmo tempo, não termos qualquer receio de andar de automóvel. No entanto, considerando apenas as estatísticas norte-americanas2, é mais provável lerpar numa auto-estrada do que levar com um avião na tola.

Imagino que seja também devido a alguma causa psicológica que se compram mil sistemas de segurança especial, muitos sistemas e componentes GTI, quando são deixados ao acaso outros controlos mais simples e que, pelo que posso verificar, são os mais fracos e facilmente ultrapassáveis. Exemplos? Ausência de actualizações de segurança e sistemas anti-vírus, e, claro, a cerejinha lá mesmo-mesmo no topo do bolo, as passwords.

Food for thought.

1 O autor não distingue os dois termos, safe e secure, tal como na língua Portuguesa, mas, de facto, há uma diferença substantiva entre o significado das duas palavras e, por isso, decidi acrescentá-las no texto e realçar esta diferença.
2 Números apresentados no lívro Beyond Fear, escrito por Schneier em 2006 — cuja leitura recomendo vivamente! — e que nos mostram que morrem nos Estados Unidos, anualmente, cerca de 40.000 pessoas em acidentes de viação enquanto que, em 11 de Setembro de 2001 — e apenas nesse dia — morreram cerca de 3.000 no atentado às torres e ao Pentágono.