"Contas-mula"

Em traços muito gerais, as "contas-mula" são contas bancárias usadas por burlões, phishers et al, que servem como receptoras de primeiro nível de transacções fraudulentas, e que são depois usadas para encaminhar dinheiro roubado para contas secundárias ou transmissões directas do tipo Western Union ou Moneygram.

Também por regra, os detentores das contas são cidadãos comuns que, na sua maioria, não sabem que estão a ser manipulados por criminosos e que, nesse contexto, estão a participar em actividades de branqueamento de transacções ilegítimas.

Sobre este tema, Brian Krebs escreveu um artigo no Washington Post que descreve uma situação concreta em que foram usadas estas contas. Começa assim:

On Friday, Brunswick, Maine-based heating and hardware firm Downeast Energy & Building Supply sent a letter notifying at least 850 customers that the company had suffered a data breach. Downeast sent the notice after discovering that hackers had broken in and stolen more than $200,000 from the company's online bank account.

E continua, um pouco mais à frente, descrevendo o papel destas contas no ataque:

This type of crime is impossible without the cooperation of so-called "money mules," willing or unwitting individuals typically hired via Internet job search Web sites to act as "local agents" or "financial agents" responsible for moving money on behalf of a generic-sounding international corporation, legal experts say.The mules are then instructed to withdraw the cash and wire it via Western Union or Moneygram to fraud gangs overseas, typically in Eastern Europe.

É importante conhecermos esta realidade e termos os sentidos em alerta para este tipo de burlas. É especialmente importante mantermos um grau de cepticismo elevado quando somos confrontados com propostas do tipo faça-dinheiro-rápido-sem-trabalho-nem-chatices porque, como se pode ver, podemos cair facilmente em situações muito complicadas. Complicadas porque é para as nossas contas que o dinheiro roubado é transferido, em primeira mão, e é a partir delas que é encaminhado para o exterior. E agora imaginem, por um momento, que trabalhavam na PJ. A que porta é que iam bater primeiro?...

O artigo explora o tema em mais detalhe. Está online no Washington Post com o título Data breach highlights role of 'Money Mules'. Vale o tempo.